segunda-feira, 18 de maio de 2020

Biblio@rs (XVI)

                                                
                                                         A Civilização Grega - A vida quotidiana II (século V a.C.)

A Civilização Grega não se distinguiu por no seu quotidiano ter habitações muito luxuosas. A grande maioria da população vivia nos campos e a este aspeto se adaptou. De qualquer modo, as  habitações não variaram muito entre o campo e a cidade. Ao contrário dos Romanos, os Gregos achavam que a construção a privilegiar eram as dos edifícios públicos, em especial os templos. A ostentação individual não atraiu muitos os gregos.  

As suas casas eram simples, feitas de barro e madeira sendo o chão de terra batida. As casa tinham genericamente um piso, detinham poucas janelas que ficavam nos pontos mais superiores das paredes e eram cobertas apenas por uma cortina. A habitação era construída a partir de um pátio central, onde se concentrava um poço para reter a água das chuvas e um pequeno altar da deusa Héstia, a deusa protetora do lar.

O interior das habitações tinham diversas habitações. A casa grega separava os espaços entre homens e mulheres. O androceu e o gineceu. No androceu era a área reservada aos homens e que era interdita às mulheres. Pela circulação de homens no androceu ele era quase um espaço público no interior da habitação. O gineceu encontrava-se numa parte da habitação mais reservada e por isso mais interior e recebeu esse nome por ter aí os aposentes das mulheres, os gineceus.  A habitação grega tinha ainda espaços próprios para as crianças e para os escravos.

A cerâmica grega que chegou até nós mostra-nos que na decoração das habitações existiam os mesmos princípios que se encontram no desenho das habitações: reduzidas peças e simplicidade. Mesas, bancos, cadeiras e arcas eram o seu principal mobiliário. Na decoração da casa os mesmos princípios de simplicidade, com a introdução de vasos e outros objetos colocados nas paredes. Nas famílias mais ricas a introdução de tecidos coloridos nas paredes tornavam a habitação mais alegre e sofisticada. Apesar da simplicidade, existiram exceções. Por exemplo no androceu das casas mais ricas o chão era coberto por mosaico de diferentes cores, tamanhos e formas geométricas. Apesar de conhecerem o mosaico feito a partir da pedra e do vidro não o usavam nas habitações particulares, de um modo geral.

A vida quotidiana da Civilização Grega foi marcada pelo trabalho agrícola. Existiam os pequenos proprietários que faziam disso a sua sobrevivência, os proprietários mais ricos que já tinham escravos e faziam da exploração uma forma de construir riqueza e os grandes senhores, donos de grandes propriedades, mas que faziam a sua vida na cidade. Na Grécia cultivavam-se diversos cereais, como a cevada, o trigo e ainda a vinha e a oliveira. Ao lado da agricultura criavam-se diversos tipos de animais, como carneiros, cabras ou porcos, mas também cavalos e vacas.  A produção de mel e a exploração de colmeias acompanhava a vida agrícola.

Os artesãos que executavam diversos ofícios, como o trabalho do couro, do ferro, do barro e da pedra estavam fixos na cidade e tinham espaços próprios para a sua atividade. O comércio e o artesanato eram assim atividades muito desenvolvidas na ágora. A compra de alimentos na ágora era exclusivo dos homens, ficando as mulheres reservadas ao espaço da habitação.  As mulheres fabricavam tecidos em teares artesanais verticais nas suas habitações.  Os tecidos eram sobretudo os de lã ou linho. Estes eram fiados à mão com uma roca ou fuso.

A escravatura foi usada moderadamente na Civilização Grega, não tendo atingido as formas de violências de outras culturas. Os escravos tinham diferentes tarefas e podiam ser usados em tarefas domésticas, ou nas atividades económicas. No entanto, os escravos usados nas minas de prata e nas pedreiras foram os que tiveram uma vida mais difícil e assim não se enquadravam no retrato geral da escravatura na Civilização Grega.

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