quinta-feira, 28 de maio de 2020

Com o património de Esposende (II)

Damos continuidade às publicações sobre o património local de Esposende. Neste caso sobre uma das figuras ligadas à educação e à cultura e que dá nome à Biblioteca Municipal de Esposende. Justamente, Manuel Boaventura.


Educação Inclusiva (2)


(para aceder basta clicar no título acima)

Biblio@rs (XVIII-VII)


A Civilização Grega - As manifestações artísticas - o desporto (os jogos olímpicos II)

Já tínhamos falado sobre o papel essencial dos Jogos Olímpicos na cultura grega e na vida das cidades-estado. Falemos agora um pouco sobre as diferentes atividades desportivas e como se organizavam os sete dias das competições desportivas.

De um modo simples o calendário dos Jogos Olímpicos estava alinhado do seguinte modo:
  • 1.º dia - Oferta dos sacrifícios a Zeus e juramento dos atletas;
  • 2.º dia - Realização de diversos rituais religiosos;
  • 3.º dia - Realização de corridas pedestres e estafetas;
  • 4.º dia - Realização do Pentlato
  • 5.º dia - Realização de diversas lutas gregas: Luta, Pugilismo e Pancrácio;
  • 6.º dia - Realização de Corridas de cavalos e de carros;
  • 7.º dia - Consagração dos vencedores.
Nos dois primeiros dias concentravam-se os rituais religiosos, onde se destacavam as oferendas e sacrifícios em honra do Deus a que era dedicado os jogos, Zeus. Nestes dois dias os atletas faziam os juramentos das regras com que se realizavam os jogos.  Após o juramento realizavam-se algumas provas para organizar o agrupamento dos atletas, em função das categorias que iam disputar. No final desta pré-qualificação, os atletas despiam-se e eram ungidos com azeite. 

O terceiro dia era reservado às competições pedestres e das estafetas. Realizavam-se diferentes tipos de provas. Existam corridas de 400 e 5000 metros, e esta última funcionava como prova de estafetas.  Corriam com um obeto pesado, o hopplita, o que tornava estas provas difíceis. Estas eram a únicas provas em que os atletas não estavam despidos.

No quarto dia realizavam-se as provas do Pentlato, e que estavam organizadas em cinco modalidades: 
1. salto em comprimento; 2. lançamento do disco; 3. lançamento do dardo; 4. luta e 5. corrida. Neste dia reuniam-se as provas mais apreciadas pelos espetadores.

No quinto dia reuniam-se as provas de luta, nomeadamente o Pugilismo e Pancrácio. Estas competições reuniam um tipo de lutas que exigiam uma boa preparação física com uma substantiva flexibilidade do corpo. Em algumas das lutas o atleta tinha a cabeça protegida por um capacete de bronze. Alguns combates eram muitos violentos, com destaque para o Pancrácio, pois as regras de proteção eram muito limitadas, num combate que misturava a luta corpo a corpo com o boxe. Muitas vezes um dos atletas acabava por falecer e nesse sentido era uma das piores das lutas que se realizavam nos Jogos Olímpicos.

No sexto dia realizavam-se as corridas de cavalos e de quadrigas. Existia um espaço próprio para essas corridas, o hipódromo. Finalmente no sétimo e último dia era feita a consagração dos atletas que tinham participado nos jogos. Os vencedores eram consagrados num banquete, onde eram anunciados os vencedores. Neste anúncio destacava-se a sua linhagem, a sua família e a sua cidade. Os vencedores eram coroados com um coroa de oliveira e encaminhavam-se para agradecer e homenagear o deus dos jogos, justamente, Zeus. Como já vimos, os vencedores eram aclamados na sua cidade, onde ficavam com o estatuto de heróis, que acabaria por se integrar nos valores culturais dos gregos.

Inagem: Discóbolo de Míron - Séc. V a. C.

Minutos de Leitura (XXVIII - 3.º Ciclo)

"Violeta, sob as sombras, definhava:
- Meu Deus! Que triste vida! Não acontece nada...  E eu, tão bonita, com tão doce cheiro, aqui presa no mato, debaixo destes tufos, sem poder correr mundo, vir nos jornais, entrar na sociedade!...


E vá de lamentar-se, chorar e pôr perfume; pôr perfume, chorar e lamentar-se, dia e noite, sem fim, que até fazia dó. "Fazia dó" é só um modo de dizer porque os vizinhos de Violeta não tinham pena nenhuma dela e andavam mesmo muito aborrecidos com aquele estardalhaço de choros e lamentos e um tal exagero de perfumes que abafava qualquer odor em volta.

- Ora esta! - exclamava um dente-de-leão. - Vem a gente para aqui para gozar os bons ares e parece que está no átrio de um teatro.
- Já é preciso azar - diziam as urtigas. - O que custou à nossa mãe-semente voar por essas serras contra todos os ventos para achar esta encosta recatada e tranquila... para afinal morarmos ao lado desta vampe que não faz outra coisa senão incomodar-nos!...

Eetcétera. Havia, por exemplo, um gafanhoto todo ecologista que acusava a Violeta de sufocar o aroma balsâmico das seivas. E havia mesmo um pé de hortelã-pimenta que se esticava todo para ver se saltava e se ia plantar um pouco mais além, onde os homens, passando, dissessem:
- Que bom cheiro a hortelã-pimenta!
Em vez de: - Que bom cheiro a violetas!

Para Violeta, estes elogios e aquelas invejas e recriminações não chegavam para dar sentido à vida. Queria sair da sombra, da mediocridade. E viu passar a brisa:
- Brisa, minha boa brisa, toma-me nos teus braços e leva-me contigo para uma cidade, onde eu possa brilhar, ser admirada, ganhar muito dinheiro, dar autógrafos...

A brisa estava com falta de paciência. Por todos os lugares onde passava havia sempre alguém que suspirava, punha os olhos em alvo e começava:
- Brisa, minha boa brisa, faz-me isto, faz-me aquilo...

Ora tomara a brisa que a deixassem em paz! Bastante apoquentada andava ela com o próprio destino: para cá, para lá, vem do mar, vem da terra, carrega agora o cheiro do pinhal, agora o cheiro da lenha, o cheiro a mosto, daqui para ali, dali para aqui, sem descansar... Para quê? Sim, para quê? Ninguém sabia.
- Estúpida Violeta! - disse a brisa que, além de impaciente, era mal-educada. - Ando eu aqui estafada de um lado para o outro e tu aí quietinha, bem comida, bem dormida, abrigada e bem-cheirosa e ainda me vens por cima com Literaturas! 
Literaturas baratas, já se vê, tiradas das cantigas que os homens trazem para o campo em rádios quando fazem piqueniques aos domingos. "Brisa, minha brisa, isto e aquilo..." Julgam que eu sou a mala-posta, ou quê? Não levo nada, não trago nada para ninguém. Ponto final!

Violeta ficou muito ofendida. Chorou, chorou, chorou: fez um laguinho com as suas lágrimas. Vai o sol, achou graça àquele laguinho. Esgueirou-se entre a folhagem e foi para lá brincar. Vai, fez-se um arco-íris: lindo, lindo!... Violeta sorriu. Olhou melhor. Uma das cores estava a dizer-lhe adeus.

- Olá - disse a Violeta. - Quem és tu?
- Eu sou  Violeta - disse a cor.
- És tão bonito... - disse a Violeta. - Seremos nós parentes?
- Temos muitas parecenças - disse a cor. - Olho para ti e até parece que me reconheço.
- Vem ter comigo - suspirou a Violeta.
- Vou tentar - disse a cor. E deu tanto esticão que se soltou do arco-íris. Vai, poisou sobre a flor e sentiu-se tão bem, tão bem, que lá ficou. Agora, conta histórias do que viu quando andava no céu ou entre as chuvas, ou nos jardins, no meio dos repuxos.

E a Violeta . está claro - ri-se, ri-se, tornou-se bem-disposta, perdeu as ambições: não quer saber de autógrafos para nada. Ou não fosse esta, verdadeiramente, uma história de amor com violetas."

A luz de Newton / Hélia Correia. Lisboa: Relógio D´ Água, 2015.
Imagem: Veilchen & Bilder

Minutos de leitura (XXVIII)


Dezassete vezes tentou Ditosa levantar voo, e dezassete vezes acabou no chão depois de ter conseguido elevar-se uns poucos centímetros.
Sabetudo, mais magro que de costume, arrancara os pelos do bigode depois dos doze primeiros fracassos, e com miados tremendos tentava desculpar-se:
- Não entendo. Revi conscienciosamente a teoria do voo, comparei as instruções de Leonardo com tudo o que se diz na parte delicada à aerodinâmica, volume primeiro, Letra “A” da enciclopédia, e no entanto não conseguimos. É terrível! Terrível!
Os gatos aceitavam as suas explicações, e toda a sua atenção se centrava em Ditosa, que depois de cada tentativa falhada ia ficando mais triste e melancólica.
Depois do último fracasso, Colonello decidiu suspender as tentativas, pois a sua experiência dizia-lhe que a gaivota começava a perder confiança em si mesma, e isso era muito perigoso se de verdade queria voar.
- Talvez não o possa fazer – opinou Secretário. – Se calhar viveu tempo de mais connosco e perdeu a capacidade de voar.
- Seguindo as instruções técnicas e respeitando as leis da aerodinâmica, é possível voar. Não se esqueçam de que está tudo na enciclopédia – apontou Sabetudo.
- Pelo rabo da raia! – exclamou Barlavento. – Ela é uma gaivota e as gaivotas voam!
- Tem de voar. Prometi-o à mãe e a ela. Tem de voar – repetiu Zorbas,
- E o cumprimento dessa promessa obriga-nos a nós todos – recordou Colonello.
- Reconheçamos que somos incapazes de a ensinar a voar e que temos de procurar auxílio para além do mundo dos gatos – sugeriu Zorbas.
- Mia claramente, caro amico. Aonde é que queres chegar? – perguntou Colonello, sério.
- Peço autorização para quebrar o tabu pela primeira e última vez na minha vida – solicitou Zorbas fitando os seus companheiros nos olhos.
- Quebrar o tabu! – miaram os gatos pondo as garras de fora e eriçando os lombos.
Miar a língua dos humanos é tabu. Assim rezava a lei dos gatos, e não porque eles não tivessem interesse em comunicar com os humanos. O grande risco estava na resposta que os humanos dariam. Que fariam com um gato falante? Com toda a certeza iriam encerrá-lo numa jaula para o submeterem a toda a espécie de provas estúpidas, porque os humanos são geralmente incapazes de aceitar que um ser diferente deles os entenda e trate de se dar a entender. Os gatos conheciam, por exemplo, a triste sorte dos golfinhos, que se tinham comportado de uma maneira inteligente com os humanos e estes tinham-nos condenado a fazer de palhaços em espetáculos aquáticos. E sabiam também das humilhações a que os humanos sujeitam qualquer animal que se mostre inteligente e recetivo com eles. Por exemplo, os leões, os grandes felinos obrigados a viver entre grades á espera de que um cretino lhes meta a cabeça entre as mandíbulas; ou os papagaios, encerrados em gaiolas a repetir parvoíces. De tal modo que miar na linguagem dos humanos era um risco muito grande para os gatos.
- Fica aqui junto da Ditosa. Nós retiramo-nos para debater a tua petição – ordenou Colonello.
Longas horas durou a reunião dos gatos à porta fechada. Longas horas durante as quais Zorbas se deixou ficar deitado junto da gaivota, que não escondia a tristeza por não saber voar.
Era já noite quando terminaram. Zorbas aproximou-se deles para conhecer a decisão.
- Nós, gatos do porto autorizamos-te a quebrar o tabu só desta vez. Miarás apenas com um humano, mas antes decidiremos entre todos com qual deles – declarou Colonello solenemente.

História de uma gaivota e do gato que a ensinou a voar  / Luís Sepúlveda   
Imagem: Copyright  - Jim Braswell

quarta-feira, 27 de maio de 2020

Biblio@rs (XVIII-VI)


A Civilização Grega - As manifestações artísticas - os templos

Os templos gregos são mais uma das grandes marcas de uma extraordinária civilização. Para se compreender um pouco do que foi a aventura grega é preciso reconhecermos que a mesma  quando existiu olhou para as coisas como uma descoberta, como se o mundo tivesse acabado de nascer e era preciso encontrar a sua verdade, aquilo que era real, transmitida na sua palavra, Alétheia.

Existia na Civilização Grega uma procura contínua pela curiosidade sobre tudo o que rodeava a sua vida. Os gregos, ao contrário de outras culturas não se satisfaziam apenas na realização de tarefas, mas queriam compreender o próprio sentido da vida e por isso se dedicaram de uma forma original à escultura, à pintura, à arquitetura, ao pensamento, ao questionamento contínuo para encontrar uma resposta para as suas questões. Os templos foram uma das áreas que mais marcou a sua criação.

Os templos gregos variaram um pouco, entre o século VIII a. C., e o apogeu do mundo helénico no século V a.C., pois na primeira fase eram mais santuários naturais, pois os gregos acreditavam que os elementos naturais eram visitados pelos deuses e assim árvores, rochas ou rios eram considerados santuários de culto. 

A partir do século V a.C., a criação artística grega atinge o seu mais alto nível de perfeição. A arquitetura grega está muito ligada à construção dos templos. Quando as olhamos ainda hoje ficamos maravilhados, pois se tinham uma função eram também construídos para serem admirados. O interior do templo era um espaço de contemplação, de construção de um ideal de beleza e por isso os altares e os sacrifícios eram feitos no exterior. Esta é mais uma ideia nova e original dos gregos. 

Os templos serviam uma função de ritual religioso e eram erguidos em honra dos deuses e, sabendo que cada cidade-estado tinha um deus protetor é fácil concluir que esta civilização erigiu muitos templos no seu espaço geográfico. A construção de muitos templos era incentivada pelo governo da pólis, de modo a que todas as cidades-estado fossem embelezadas com os templos ligados às divindades mais populares. 

De um modo genérico, podemos indicar os seguintes, como os templos mais importantes:     
                  
  • Pártenon - Construído em Atenas, na sua acrópole é o maior e mais importante templo dedicado a Atena. A sua dimensão, a perfeição nas formas e as pinturas usadas tornam o Pártenon,-no no mais importante templo da Civilização Grega.
  • Templo de Apolo - Construído em Delfos funcionava como um oráculo e teve nesse aspeto uma importante função na cultura grega.
  • Templo de Zeus - Construído em Olímpia foi um dos mais importantes não nesta civilização, como no Mundo antigo. Este templo tinha no seu interior uma estátua de Zeus, construída por uma figura muito importante na arte grega, Fídias.  
A arquitetura grega revelada ao longo dos tempos esteve dependente de um conjunto de características, as chamadas ordens arquitetónicas, que definia as proporções ideais  dos vários elementos dos templos. Falaremos delas no próximo post. Mas há algo que não devemos esquecer e que diz respeito aos espaços onde vivemos.

 A ideia do belo, de algo que deve ter tanta importância numa sociedade, como a verdade ou a justiça. O século XX deixou de se interessar pelo belo, dando mais importância à fratura e a uma hipotética originalidade. A ideia de algo belo servido por uma aprendizagem técnica é algo que devemos aos gregos e que devemos falar em pormenor. Bastaria isso para compreendermos a sua importância na História da Humanidade. Se ainda observamos hoje edifícios feios, desenquadrados dos restantes é por esta falta do belo que os gregos tanto admiravam.

Imagem: O templo de Zeus em Olímpia

Minutos de Leitura (XXVII - 3.º Ciclo)

"Vivia o Verde muito descansado por cima do seu campo - um tanto combalido quando vinha o domingo e os miúdos futebolavam todo o dia em cima dele. Mas então!.... Ele gostava era daquilo!...
- És um masoquista - diziam-lhe os amigos.
-Chamem-me nomes! - retorquia o Verde. - Eu é que sei como é que me divirto!

E divertia-se, por debaixo dos ténis dos miúdos, a senti-los driblar, fintar, golear, sei lá que mais? - Aquelas coisas que os pés fazem no futebol...
Quando não eram miúdos, eram os cães. Escavavam o Verde, faziam-lhe cocó ele achava graça. 

Um dia, ouviu uns homens que s´estavam a dizer:
- Vamos fazer aqui prédios de vinte andares.
O Verde estremeceu. Queixou-se a um cachorro que o veio visitar.
- Ora! -disse o cachorro. - Prédios é que eles não fazem. 

Foi chamar os amigos e veio a canzoada - béu-béu-, dezenas deles, todos a ocupar o Verde. Chegaram os pedreiros e mais o material para fundar alicerces - ão! - ão! -: "Aqui d´El-Rei! Pernas, para que vos quero?!», deitaram a fugir daquele grande exército de cães, dentes arreganhados, baba a escorrer da boca, olhos em sangue, ai, ai, feras autênticas!...

Por três dias seguidos se repetiu a festa. Os cães estavam cansados. E chegou o domingo. Vieram os miúdos. Avistaram os cães e pegaram em pedras. Porquê? Por nada. É que era sempre assim.
- Deixem-se de parvoíces! - exclamaram os cães. - Não temos tempo para brincadeiras.
- O que foi? - perguntaram os miúdos.

Ficaram a saber. Puseram-se de guarda a defender o Verde com os cães.
Mas na segunda-feira tiveram de ir para a escola. Quem apareceu para guardar o Verde foram os pais e os irmãos mais velhos e uns amigos dos pais e dos irmãos mais velhos que o nosse Verde nunca tinha visto.

- Quem são vocês? - resolveu perguntar àquela gente toda.
- Somos os verdes - responderam eles.
- Muito... prazer... - cumprimentou o Verde, todo moído já pelas patas dos cães, as botas dos miúdos e o medo às escavadeiras. - Se também vêm para me defender, podiam pôr-se à volta e não em cima, que me doem as costas, se faziam favor.

E os verdes puseram-se à volta e não em cima. Como eram já um tanto conhecidos, veio a televisão e filmou tudo.

Então o empreiteiro coçou o queixo e disse:
- Se calhar é melhor não fazermos mais ondas. Deixa isto esfriar para ficarmos bem-vistos. 

O Verde respirou, aliviado. Os pedreiros foram-se embora com as máquinas. Os verdes foram para casa escrever a história num papel para distribuir. Os miúdos por lá andam a futebolar. Só os cães é que estão desconfiados. Eles, que sabem o que custa conseguir um simples osso para matar a fome, acham muita fartura que o empreiteiro tenha desistido de destruir o Verde assim tão facilmente.

O Verde é que, coitado, não foi feito para guerras. Lá está, refastelado, estendido no seu campo, tomamdo os seus refrescos, tendo os seus futebóis, sempre ligeiramente escavacado, sempre de bom humor...
Que viva o Verde!"

A luz de Newton / Hélia Correia. Lisboa: Relógio D´ Água, 2015.
Imagem: Copyright -Andreea Draghicihici