quarta-feira, 13 de outubro de 2021

A literacia dos oceanos


 

 

Turma PH

Padlet - para lá do oceano

 

Criado com o Padlet

Uma obra de arte - O castro de São Lourenço

 

O castro de São Lourenço é uma das construções mais relevantes da cultura castreja no norte de Portugal e situa-se naquilo que podemos designar como uma das fases da Pré-História. O castro tem uma localização elevada, na parte mais elevada da arriba granítica, situada no concelho de Esposende e a sua construção data da fase final da Idade do Bronze, isto é cerca do primeiro milénio a. C. 

A fundição dos metais representou um avanço para as comunidades se desenvolveram no aproveitamento de recursos naturais do território. O bronze representava uma liga metálica, resultante da mistura do cobre com o estanho e veio substituir gradualmente os objetos construídos em pedra. 

O espaço ocupado pelo castro relaciona-se com uma ocupação diferenciada no tempo. A ocupação do território terá sido feita entre os séculos VII e VI a. C., tendo a cultura castreja nascido nesta zona do Noroeste da Península entre os século V e IV a. C., tendo sido por essa data que surgiram as primeiras casas em pedra em forma circular que caracteriza este castro. Terá sido no século II a.C., que foi erigido o sistema defensivo e uma e a integração de elementos vegetais e uma maior robustez nas plantas circulares das casas. 

O castro de São Lourenço tinha uma excelente localização. Estava situado num ponto alto, de grande valor estratégico sobre o território. A proximidade do mar enriqueceu o modo de vida destas comunidades, assim como os espaços de floresta concedeu materiais importantes para a construção das habitações. É possível que também o sal tenha desempenhado um papel importante pelo seu aproveitamento económico e futuro comércio. Dos vários castros da região, o de São Lourenço é o que ocupa maior espaço e terá sido o que albergou mais população.

No século I a.C., foi adicionado um novo sistema defensivo e algumas habitações que tiveram melhorias nos materiais , nomeadamente, com  a colocação de argamassa e reboco. Ainda neste século surge a "vicus", uma estrutura de natureza urbana que tinha a função de apoio a algum comércio e a alguma administração do castro. A existência de um vestíbulo faz supor uma estrutura de apoio à habitação, nomeadamente para cozer o pão. 

 No século II a. C., deu-se o contacto com a civilização romana. Será apenas com o completo domínio romano já no século I que o castro de São Lourenço sofre um conjunto muito significativo de grandes transformações. Serão construídos novos edifícios (devido a ter existido um incêndio no seu espaço), com pequenos postigos e pedras decoradas, já com reboco e com pintura interior e exterior. 

 As casas passam a ser organizadas  por núcleos familiares, que se apresentam em patamares que se fixam pela introdução de muros. A alimentação, as atividades domésticas, os instrumentos agrícolas e o armazenamento de produtos eram realizados nas casas. Ao lado da pedra usada na sua estrutura, o telhado das casas era feito usando elementos vegetais como giestas, a palha, ou o colmo. Os espaços empedrados parecem sugerir uma maior circulação e uma estrutura mais complexa na ocupação do espaço.

A alimentação das comunidades do castro de São Lourenço passava por juntar a recoleção, a criação de animais, a plantação de plantas e gramíneas, pois a sua moagem foi encontrada com a utilização de pequenas mós. A tecelagem, o aproveitamento das peles dos animais, a metalurgia, o trabalho da pedra e a tecelagem foram atividades dominantes no modo de vida desta cultura. O castro de São Lourenço é um rico exemplo da cultura dos castros que se afirmou na Península Ibérica no fim da idade do bronze e na transição para a idade do ferro.

Fonte de informação: CISL

Boletim bibliográfico - o livro do mês

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segunda-feira, 11 de outubro de 2021

Um poema - Junto à água

 FOLLOWER OF JOACHIM PATINIR, The Flight into Egypt 
"Os homens temem as longas viagens,
os ladrões da estrada, as hospedarias,
e temem morrer em frios leitos
e ter sepultura em terra estranha.
Por isso os seus passos os levam
de regresso a casa, às veredas da infância,
ao velho portão em ruínas,à poeira
das primeiras, das únicas lágrimas.
Quantas vezes em
desolados quartos de hotel
esperei em vão que me batesses à porta,
voz de infância, que o teu silêncio me chamasse!
E perdi-vos para sempre entre prédios altos,
sonhos de beleza, e em ruas intermináveis,
e no meio das multidões dos aeroportos.
Agora só quero dormir um sono sem olhos
e sem escuridão, sob um telhado por fim.
À minha volta estilhaça-se
o meu rosto em infinitos espelhos
e desmoronam-se os meus retratos nas molduras.
Só quero um sítio onde pousar a cabeça.
Anoitece em todas as cidades do mundo,
acenderam-se as luzes de corredores sonâmbulos
onde o meu coração, falando, vagueia."

 "Junto à água", in Poesia, saudade da prosa / Manuel António Pina. Lisboa: Assírio & Alvim, 2011; grãos de pólen - 12.
Imagem: Joachim Patinir, The flight into Egypt, Christie's, London

Concurso Nacional de leitura 2022


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        Prova do 1.º Ciclo - CNL 21 / 22 - As naus de verde pinho - Manuel Alegre

Imagem da capa

Prova do 2.º Ciclo - CNL 21 / 22 - Missão Impossível de  Ana Maria MagalhãesIsabel Alçada


                   Prova do 3.º Ciclo - CNL 21 / 22 O velho e o mar de Ernest Hemingway


          

O livro do mês - A menina do mar

 


"Casa branca em frente ao mar enorme,

Com o teu jardim de areia e flores marinhas 
E o teu silêncio intacto em que dorme 
O milagre das coisas que eram minhas.

Era uma vez uma casa branca nas dunas, voltada para o mar.
Tinha uma porta, sete janelas e uma varanda de madeira pintada de verde. Em roda da casa havia um jardim de areia onde cresciam lírios brancos e uma planta que dava flores brancas, amarelas e roxas.
Nessa casa morava um rapazito que passava os dias a brincar na praia.
Era uma praia muito grande e quase deserta onde havia rochedos maravilhosos. Mas durante a maré alta os rochedos estavam cobertos de água. Só se viam as ondas que vinham crescendo do longe até quebrarem na areia com um barulho de palmas. Mas na maré vaza as rochas apareciam cobertas de limos, de búzios, de anémonas, de lapas, de algas e de ouriços. Havia poças de água, rios, caminhos, grutas, arcos, cascatas. Havia pedras de todas as cores e feitios, pequeninas e macias, polidas pelas ondas. E a água do mar era transparente e fria. Às vezes passava um peixe, mas tão rápido que mal se via. Dizia-se “Vai ali um peixe” e já não se via nada. Mas as vinagreiras passavam devagar, majestosamente, abrindo e fechando o seu manto roxo. E os caranguejos corriam por todos os lados com uma cara furiosa e um ar muito apressado.
O rapazinho da casa branca adorava as rochas. Adorava o verde das algas, o cheiro de maresia, a frescura transparente das águas. E por isso tinha imensa pena de não ser um peixe para poder ir até ao fundo do mar sem se afogar. E tinha inveja das algas que baloiçavam ao sabor das correntes com um ar tão leve e feliz."

A Menina do Mar / Sophia de Mello Breyner Andresen ; il. Fernanda Fragateiro. – Porto : Porto Editora, cop. 2012. – 38, [2] p. : il. ; 23 cm. – ISBN 978-972-0-72621-6