Espaço institucional de partilha e divulgação das atividades das Bibliotecas Escolares do Agrupamento de Escolas António Rodrigues Sampaio
quarta-feira, 13 de outubro de 2021
Uma obra de arte - O castro de São Lourenço
A fundição dos metais representou um avanço para as comunidades se desenvolveram no aproveitamento de recursos naturais do território. O bronze representava uma liga metálica, resultante da mistura do cobre com o estanho e veio substituir gradualmente os objetos construídos em pedra.
O espaço ocupado pelo castro relaciona-se com uma ocupação diferenciada no tempo. A ocupação do território terá sido feita entre os séculos VII e VI a. C., tendo a cultura castreja nascido nesta zona do Noroeste da Península entre os século V e IV a. C., tendo sido por essa data que surgiram as primeiras casas em pedra em forma circular que caracteriza este castro. Terá sido no século II a.C., que foi erigido o sistema defensivo e uma e a integração de elementos vegetais e uma maior robustez nas plantas circulares das casas.
O castro de São Lourenço tinha uma excelente localização. Estava situado num ponto alto, de grande valor estratégico sobre o território. A proximidade do mar enriqueceu o modo de vida destas comunidades, assim como os espaços de floresta concedeu materiais importantes para a construção das habitações. É possível que também o sal tenha desempenhado um papel importante pelo seu aproveitamento económico e futuro comércio. Dos vários castros da região, o de São Lourenço é o que ocupa maior espaço e terá sido o que albergou mais população.
No século I a.C., foi adicionado um novo sistema defensivo e algumas habitações que tiveram melhorias nos materiais , nomeadamente, com a colocação de argamassa e reboco. Ainda neste século surge a "vicus", uma estrutura de natureza urbana que tinha a função de apoio a algum comércio e a alguma administração do castro. A existência de um vestíbulo faz supor uma estrutura de apoio à habitação, nomeadamente para cozer o pão.
No século II a. C., deu-se o contacto com a civilização romana. Será apenas com o completo domínio romano já no século I que o castro de São Lourenço sofre um conjunto muito significativo de grandes transformações. Serão construídos novos edifícios (devido a ter existido um incêndio no seu espaço), com pequenos postigos e pedras decoradas, já com reboco e com pintura interior e exterior.
As casas passam a ser organizadas por núcleos familiares, que se apresentam em patamares que se fixam pela introdução de muros. A alimentação, as atividades domésticas, os instrumentos agrícolas e o armazenamento de produtos eram realizados nas casas. Ao lado da pedra usada na sua estrutura, o telhado das casas era feito usando elementos vegetais como giestas, a palha, ou o colmo. Os espaços empedrados parecem sugerir uma maior circulação e uma estrutura mais complexa na ocupação do espaço.
A alimentação das comunidades do castro de São Lourenço passava por juntar a recoleção, a criação de animais, a plantação de plantas e gramíneas, pois a sua moagem foi encontrada com a utilização de pequenas mós. A tecelagem, o aproveitamento das peles dos animais, a metalurgia, o trabalho da pedra e a tecelagem foram atividades dominantes no modo de vida desta cultura. O castro de São Lourenço é um rico exemplo da cultura dos castros que se afirmou na Península Ibérica no fim da idade do bronze e na transição para a idade do ferro.
Fonte de informação: CISL
segunda-feira, 11 de outubro de 2021
Um poema - Junto à água
os ladrões da estrada, as hospedarias,
e temem morrer em frios leitos
e ter sepultura em terra estranha.
Por isso os seus passos os levam
de regresso a casa, às veredas da infância,
ao velho portão em ruínas,à poeira
das primeiras, das únicas lágrimas.
Quantas vezes em
desolados quartos de hotel
esperei em vão que me batesses à porta,
voz de infância, que o teu silêncio me chamasse!
E perdi-vos para sempre entre prédios altos,
sonhos de beleza, e em ruas intermináveis,
e no meio das multidões dos aeroportos.
Agora só quero dormir um sono sem olhos
e sem escuridão, sob um telhado por fim.
À minha volta estilhaça-se
o meu rosto em infinitos espelhos
e desmoronam-se os meus retratos nas molduras.
Só quero um sítio onde pousar a cabeça.
Anoitece em todas as cidades do mundo,
acenderam-se as luzes de corredores sonâmbulos
onde o meu coração, falando, vagueia."
"Junto à água", in Poesia, saudade da prosa / Manuel António Pina. Lisboa: Assírio & Alvim, 2011; grãos de pólen - 12.
Concurso Nacional de leitura 2022
...
Prova do 1.º Ciclo - CNL 21 / 22 - As naus de verde pinho - Manuel Alegre
Prova do 2.º Ciclo - CNL 21 / 22 - Missão Impossível de Ana Maria Magalhães e Isabel Alçada
Prova do 3.º Ciclo - CNL 21 / 22 - O velho e o mar de Ernest Hemingway
O livro do mês - A menina do mar
"Casa branca em frente ao mar enorme,
