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sexta-feira, 6 de novembro de 2020

Minutos de leitura

 

"Às vezes, regra geral no inverno, dou por mim a penar por que razão é que moro no Norte? Faz tanto frio! Parece tão distante do resto do mundo! Depois vou até à  costa e faz-se novamente luz.
 Em miúdo costumava subir ao ponto mais alto da cidade e contemplar o rio, que serpenteava por entre estaleiros, armazéns, gruas imensas, as margens confusas de Hebburn, Jarrow e a Doca de Tyne, e que depois fluía por entre os pontões gémeos em Tynemouth e South Shields, para ir desaguar no mar do Norte. 
Às vezes o mar brilhava com uma tonalidade azul e outras vezes era quase negro. Quando o vento estava de feição, era possível sentir-lhe o cheiro. As gaivotas grasnavam por cima das nossas ruas. Quando havia nevoeiro, tocavam os sinos do rio e as sirenes distantes ecoavam. As luzes dos navios brilhavam na noite, como estrelas. O mar estava sempre presente, fazia parte de nós, e parecia que queríamos estar sempre perto dele. (...)
O homem da barbatana apareceu nos meus sonhos. Proferi palavras aquosas que significavam "pai". Ele proferiu palavras secas que queriam dizer "filha". Nadámos juntos até mares do Sul com peixes coloridos e corais, até mares do Norte com icebergues e baleias. Nadámos a noite inteira de mar em mar em mar em mar, e quando acordei o Sol estava alto e já se ouviam vozes no jardim.

Uma criatura feita de mar / David Almond. Lisboa: Editorial Presença,2015

quinta-feira, 15 de outubro de 2020

Minutos de leitura

"Caso estranho e espantoso
Este que vos vou contar…

Passou-se numa terrinha
- Provavelmente vizinha –
Sem nada de particular.

Por isso, não há razão
Para aquela raridade

Que fez chegar de fora
Gente que, sem mais demora,
Quis ver a anormalidade.

“Mas o que é que aconteceu?”,
Estarão vocês a perguntar.

Pois bem, estão avisados:
Espero que estejam sentados,
Vou começar a narrar….

Estava o céu esverdeado
Num fim de tarde qualquer

Quando milhares de ervilhas,
Redondas e pequeninas,
Começaram a… chover!

(Corre, menino, corre vai buscar 
uma tigela,
Apanha as ervilhas todas, mete-as
Já numa panela!)

Se foi grande a confusão,
Difícil foi o digerir,

Que gente de boca aberta,
Ficou enjoada pela certa,
De tanta ervilha engolir!

Mas ouvi dizer … que há quem jure,
Que viu no telejornal,

Que isto já se previa
E que o senhor da meteorologia
Já tinha avisado, afinal!"

"Ervilha", in Poemas da hora e outros poemas / Manuela Leitão; il. Maria Monteiro.

quarta-feira, 24 de junho de 2020

Minutos de leitura (XLV)


Monta-te na BICICLETA (ou no Skate ou na Trotineta…)

"Sempre que andas de carro, o escape deixa um rasto invisível de gases causadores do efeito de estufa e outras coisas desagradáveis.

Isto inclui gases tóxicos, como o monóxido de carbono e também partículas minúsculas e gotículas de centenas de químicos diferentes. Algumas destas partículas são tão pequenas que seria possível alinhar 10 lado a lado num único cabelo humano (se tivéssemos uma pinça minúscula). É impossível não respirarmos estas partículas e, com o tempo, acabam por se alojar nos pulmões e provocam danos graves na nossa saúde. Quem corre o maior risco são as crianças, porque os seus pulmões ainda estão a crescer.

Este tipo de poluição atmosférica é um problema tão grave que, em alguns sítios, deixar o motor ligado quando um veículo está parado é contra a lei. Experiências realizadas demonstraram que ficar dentro do carro não ajuda. Na verdade, o ar no banco traseiro de um carro está 12 vezes mais poluído do que o ar no exterior. Isto acontece porque o sistema de ventilação do carro suga os gases da rua e prede-os no seu interior.

Uma solução é andar menos de carro e mais a pé ou de bicicleta. Começa por manter um diário de cada viagem de carro que fazes numa semana, incluindo boleias dadas por outras pessoas. Qual é que poderias ter feito com duas rodas (ou dois pés!) se tivesses saído de casa um bocado mais cedo? Troca pelo menos uma viagem de carro por uma viagem de bicicleta ou por uma caminhada a pé na semana seguinte e assim farás a diferença.

! Apesar de 42% dos habitantes do Reino Unido terem uma bicicleta, dois terços pedalam menos de uma vez por ano ou nunca o fazem. Em média, uma criança britânica faz apenas 13 passeios de bicicleta por ano.

VAMOS PEDALAR
Mantém-te em segurança.
Pede a alguém para verificar se a tua bicicleta cumpre os requisitos necessários para circular na estrada.
Usa sempre roupa refletora e um capacete quando andares de bicicleta.
Atravessa a rua com cuidado.
Usa luzes depois de anoitecer."

in 50 ideias para te livrares do plástico / Isabel Thomas
Inagem: Copyright - Verden Bikes

terça-feira, 23 de junho de 2020

Minutos de leitura (XLIV)


Pensa com um PÁSSARO
Para onde foram os insetos todos? Não és o único a fazer esta pergunta. Os pássaros alimentam-se de insetos rastejantes a cada refeição.

Antigamente, sempre que se fazia uma viagem longa de carro, o limpa-para-brisas ficava coberto de insetos que voavam no sítio errado à hora errada. Os carros modernos costumam ficar mais limpos, o que é bom para o responsável pela limpeza do carro, mas péssimo para o planeta.

Um estudo aprofundado demonstrou que o número de insetos existente na Europa está a diminuir rapidamente. Em 1989, 17291 moscas-das-flores foram apanhadas nas armadilhas colocadas numa única reserva natural alemã. Em 2014, as mesmas armadilhas capturaram apenas 2737 moscas. A redução de habitats, as alterações introduzidas no cultivo das terras e os químicos despejados nos campos agrícolas são parcialmente responsáveis por isto. E não é apenas prejudicial para os insetos. Muitos outros animais, sobretudo as aves, alimentam-se de insetos rastejantes.

Podes dar uma ajuda aos pássaros se pendurares um comedouro para aves no teu jardim. E sabes que mais? É fácil construir um comedouro reutilizando o lixo, outra forma de ajudar o planeta!

Se quiseres fazer o teu próprio comedouro para pássaros, apresentamos-te duas sugestões. Pede ajuda a um adulto para te ajudar:

1ª sugestão:

1. Faz quatro buracos numa garrafa de plástico, limpa e vazia.
2. Atravessa uma colher de pau velha em cada par de buracos.
3. Alarga um pouco os buracos junto à ponta de cada colher de pau.
4. Enche a garrafa com alpista e volta a colocar a tampa.
5. Pendura-a no ramo de uma árvore.
 
2ª sugestão
1. Faz um buraco grande na parte lateral de um garrafão de plástico vazio e limpo.
2. Abre um buraco pequeno por baixo do buraco maior para introduzires um pequeno pau ou um lápis.
3. Enche o fundo com alpista e põe a tampa. Pendura-o no ramo de uma árvore.


in 50 ideias para te livrares do plástico / Isabel Thomas

segunda-feira, 22 de junho de 2020

Minutos de leitura (XLIII)


Abraça uma Árvore
"Para se conseguir um impacto ecológico imediato não há nada melhor do que plantar uma árvore. E se não podes plantar uma árvore, adota uma!
As árvores são as maiores plantas do planeta e são fundamentais para manter a vida tal como a conhecemos. No processo da fotossíntese (quando criam alimento para si mesmas usando a energia da luz solar), as plantas absorvem o dióxido de carbono, um gás causador de efeito estufa, retendo-o nos seus troncos, ramos, raízes e folhas. O único produto desperdiçado é o oxigénio, o gás que mantém vivas todas as outras criaturas. Fantástico, não é?!
As copas das árvores também melhoram a qualidade do ar de outras formas, por exemplo, concentrando pó e poluentes perigosos que posteriormente são lavados pela chuva. Protegem os habitats para milhões de outras criaturas vivas.
Durante centenas de milhares de anos, as árvores forneceram os materiais para construir os abrigos e as ferramentas dos seres humanos, e também para atear fogueiras. Para fazer os medicamentos, instrumentos e mobiliário. Para fazer papel, borracha e cortiça. Servem como um bom esconderijo para quem for perseguido por hienas. Há um limite para o que as árvores conseguem fazer? Não, A ciência demonstrou que basta olharmos para as árvores para nos sentirmos menos stressados! A não ser, claro, quando estamos MESMO a ser perseguidos por hienas.
Escolhe uma árvore que esteja no teu jardim ou suficientemente perto da tua casa para a poderes visitar semanalmente e adota-a. Depois… olha com atenção. Observa as mudanças que ela vai sofrendo ao longo do ano. Repara nas criaturas que lá vivem (um único carvalho pode alojar 500 espécies diferentes!). Portanto, tu não adotaste apenas uma planta mas sim um ECOSSISTEMA inteiro!

10 Maneiras de demonstrares à tua ÁRVORE que a AMAS:
1. Abraça-a
2. Trepa-a (se for seguro e apropriado, e pede sempre a supervisão de um adulto).
3. Mede-a. A algumas centenas de metros de distância, estende o braço para parecer que prendes a árvore com o polegar na base do tronco e o indicador no alto da copa. Vira cuidadosamente a mão, mantendo os dedos sempre à mesma distância, até o indicador ficar alinhado com o chão (e com o polegar ainda na base do tronco). Memoriza o sítio assinalado pelo indicador e mede a distância real entre esse sítio e o tronco para descobrires a altura da tua árvore.
4. Identifica-a. Usa informações, como a forma e o tamanho das folhas, e compara-as com as imagens contidas num livro.
5. Preserva-a. Coloca uma folha de papel encima de algumas folhas de árvores e risca-a com um lápis para registares a textura destas, ou coleciona folhas de árvores guardando-as bem comprimidas entre páginas de jornal e cartolina.
6. Emoldura-a. Tira uma fotografia à árvore todas as semanas do mesmo ângulo. Também podes decidir manter-te no mundo digital. Transforma as fotografias num vídeo time-lapse que mostre as alterações que a árvore vai sofrendo ao longo do ano.
7. Transforma-a em arte. Cria arte natural usando materiais provenientes da tua árvore, como folhas caídas, agulhas, ramos, sementes ou pinhas.
8. Usa-a para fazer ciência. Procura habitats microscópicos e descobre o que lá se esconde. Concentra-te nas fissuras da casca, nos buracos entre as raízes, na parte inferior das folhas e dentro de qualquer protuberância com um aspeto desagradável conhecida como bugalho!
9. Faz um clone. Corta ramos da tua árvore (se tiveres autorização do seu proprietário) e transforma-os em presentes.
10. Planta-a. Para ganhares mais pontos de ecologia extra, planta uma árvore só tua."

in 50 ideias para te livrares do plástico / Isabel Thomas
 Imagem: Copyright: Frepick

sexta-feira, 19 de junho de 2020

Minutos de leitura (XLII)


O Algodão não se desperdiça

Entre equipamentos desportivos, recordações de viagem, a tua farda da escola e toda a tua roupa, deves ter com certeza algumas t-shirts de algodão penduradas no teu armário.
Não as ignores… Destroem o planeta aos poucos.

O algodão vem de plantas e, por isso, deve ser mais amigo do ambiente do que os tecidos sintéticos, certo? Não necessariamente. A manutenção de uma plantação de algodão está entre as mais caras do mundo. São precisos 2700 litros de água para fabricar uma única t-shirt de algodão. E esta quantidade de água potável é suficiente para manter uma pessoa viva durante quase 2,5 ANOS. A produção de algodão também usa mais pesticidas do que qualquer outra cultura. Um barril de químicos é vertido na terra para que apenas uma pessoa possa vestir uma t-shirt com um slogan.

E o algodão não deixa de ter sede depois de estar no teu armário. As calças de ganga são usadas em média duas ou três vezes antes de serem lavadas. Assim sendo, são necessários 750 litros de água para lavar um único par de calças de ganga durante toda a sua vida útil.
Também temos de deixar de considerar o algodão como algo descartável. Desde equipas desportivas em que já não jogas àquela mancha que não sai ou à t-shirt tingida à mão que não vestirias em público mesmo que te obrigassem… de certeza que terás pelo menos uma peça de roupa em algodão que já não usas e que podes doar ou levar para uma festa/feira de troca de roupa. Encontra outra forma de impedir que esse algodão se desperdice.
Experimenta estas ideias.

Contagem decrescente para dar uma vida mais longa ao algodão.

5. Reduz o impacto do algodão em casa usando t-shirts e calças de ganga só mais uma vez antes de as atirares para o cesto da roupa suja (desde que não estejam completamente cobertas de lama!). Assim poderão durar mais tempo.
4. Evita centrifugar e passar a ferro roupa de algodão para reduzir a sua pegada ecológica.
3. O algodão das camisolas não desfia. Se uma t-shirt já não serve ou se te fartaste dela, tenta fazer um novo decote ou cortar as mangas. E olha só! Uma t-shirt nova!
2. Corta algodão velho em tiras longas, entrança-as e obterás uma nova fita para o cabelo, um cinto ou um brinquedo para um animal de estimação.
1. Procura informação para aprenderes a fazer pompons e usa tiras de algodão em vez de lã. Só precisas de uma tesoura, restos de cartão e de saber dar nós. Une os pompons para fazeres grinaldas, decora uma almofada velha com eles ou usa-os até para substituir esponjas…

! Há 3,6 MIL MILHÕES de peças de roupa que não são usadas nos armários do Reino Unido. São 57 PEÇAS POR ARMÁRIO. Um exagero! Enquanto isso, são produzidas anualmente 29 milhões de toneladas de algodão novo. É o equivalente a 29 T-SHIRTS por CADA HABITANTE do Planeta.
JÁ OLHASTE BEM PARA O TEU ARMÁRIO! OLHA E PENSA!


“Reutilizar o algodão“, in 50 ideias para te livrares do plástico / Isabel Thomas
Imagem: Copyright: Portal eCycle