Espaço institucional de partilha e divulgação das atividades das Bibliotecas Escolares do Agrupamento de Escolas António Rodrigues Sampaio
terça-feira, 8 de março de 2022
Leitoras...
quinta-feira, 16 de dezembro de 2021
leituras de dezembro
Edição: 2.ª
Páginas: 29, [2]
Editor: Edições Ática
(…)
Joana
deu uma volta à roda da mesa. Os copos já lá estavam, tão frios e luminosos que
mais pareciam vindos do interior de uma fonte de montanha do que do fundo de um
armário. As velas estavam acesas e a sua luz atravessava o cristal. Em cima da
mesa havia coisas maravilhosas e extraordinárias: bolas de vidro, pinhas
douradas e aquela planta que tem folhas com picos e bolas encarnadas. Era uma
festa. Era o Natal.
Então
Joana foi ao jardim. Porque ela sabia que nas Noites de Natal as estrelas são
diferentes.
—
Ainda falta um bocadinho, menina — disse a criada. Então Joana foi à cozinha
ver a cozinheira
Porque ela sabia que a Gertrudes conhecia o mundo.
Todas as manhãs a ouvia discutir com o homem do talho, com a peixeira e com a
mulher da fruta. E ninguém a podia enganar. Porque ela era cozinheira há trinta
anos. E há trinta anos que ela se levantava às sete da manhã e trabalhava até
às onze da noite. E sabia tudo o que se passava na vizinhança e tudo o que se
passava dentro das casas de toda a gente. E sabia todas as notícias, e todas as
histórias das pessoas. E conhecia todas as receitas de cozinha, sabia fazer
todos os bolos e conhecia todas as espécies de carnes, de peixes, de frutas e
de legumes. Ela nunca se enganava. Conhecia bem o mundo, as coisas e os homens.
Mas
o que a Gertrudes tinha dito era esquisito como uma mentira. Joana ficou calada
a cismar no meio da cozinha.
Tinha começado a festa do Natal.
Havia
no ar um cheiro de canela e de pinheiro. Em cima da mesa tudo brilhava: as
velas, as facas, os copos, as bolas de vidro, as pinhas doiradas. E as pessoas
riam e diziam umas às outras: «Bom Natal». Os copos tilintavam com um barulho
de alegria e de festa. E vendo tudo isto Joana pensava:
O
jantar do Natal era igual ao de todos os anos.
(…)
E
no presépio as figuras de barro, o Menino, a Virgem, São José, a vaca e o
burro, pareciam continuar uma doce conversa que jamais tinha sido interrompida.
Era uma conversa que se via e não se ouvia.
(…)
«Que
triste lá deve estar!», pensava.
E
começou a imaginar o curral gelado e sem nenhuma luz onde Manuel dormia em cima
das palhas, aquecido só pelo bafo de uma vaca e de um burro.
Foi
à janela, abriu as portadas e através dos vidros espreitou a rua. Ninguém
passava. O Manuel estava a dormir. Só viria na manhã seguinte. Ao longe via-se
uma grande sombra escura: era o pinhal.
Então
ouviu, vindas da Torre da Igreja, fortes e claras, as doze pancadas da
meia-noite.
«Hoje»,
pensou Joana, «tenho de ir hoje. Tenho de ir lá agora, esta noite. Para que ele
tenha presentes na Noite de Natal.»
Foi
ao armário tirou um casaco e vestiu-o. Depois pegou na bola, na caixa de tintas
e nos livros. Apetecia-lhe levar também a boneca, mas ele era um rapaz e com
certeza não gostava de bonecas.
Pé ante pé Joana desceu a escada. Os degraus estalaram um por um. Mas na cozinha a Gertrudes fazia muito barulho a arrumar as panelas e não a ouviu.
segunda-feira, 13 de dezembro de 2021
leituras de dezembro
Edição: 1ª
Páginas:34
Editor: Quetzal
ISBN: 978-972-564-833-9
quarta-feira, 16 de dezembro de 2020
A Noite de Natal (II)
A noite de Natal / Sophia de Mello Breyner Andresen. Ilustrações de Maria Keil.
sexta-feira, 23 de outubro de 2020
Do livro e da leitura (III)
terça-feira, 13 de outubro de 2020
Do livro e da leitura (II)
O livro e a leitura - celebrar os momentos íntimos da leitura
Nem sempre o percebemos, mas oferecer uma leitura é engrandecer o espírito. Oferecer uma história é um gesto de altruísmo, uma mão a construir um caminho. A leitura é a essência do livro. Há assim uma dádiva na oferta de uma história, a abertura a um tempo privado, o incentivo a uma conversação. As imagens que a leitura transporta em cada um oferece a cada leitor uma reflexão, um tempo individual. O livro é um passaporte para um isolamento do mundo, para uma imobilidade, para o silêncio. O livro e a leitura é assim um imenso privilégio. Ela representa o contra-movimento à cidade, ao grupo, ao barulho. E, ainda que alguns achem que não, a Biblioteca como espaço de livro e leitura pode ser um espaço espiritual e tornar-se o elemento de uma combustão interior, a história pessoal de cada um que assim se transforma.
Bessie MacNicol (1869-1907) - Elizabeth reading, 1897





